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Com o passar dos últimos meses, a crescente inflação já não é mais novidade para os americanos. E tampouco é surpresa o motivo que vem diretamente ocasionando essa situação: trata-se do crescente aumento dos preços do petróleo (o que será que o Bush tem a haver com isso?) . De fato, o petróleo aumentou 15% nos últimos 6 meses (para o mercado americano), o que afetou toda a economia do país, e também os custos da International Plastics, produtora da ResChem, a resina preferida pela maioria das companhias de laminação americanas. O aumento nos custos de produção da International Plastics estão sendo repassados às companhias de laminação, que acabam pagando dobrado esse aumento, porque o petróleo também é a base da matéria-prima da fibra de vidro... Então, como os custos das companhias de laminação aumentaram, eles acabaram repassando esse aumento para os fabricantes de pranchas, e estes consequentemente, aos revendedores (lojistas), que por fim o estão repassando aos consumidores, ocasionando um acréscimo de cerca de US$ 30 no preço final.
Acrescente-se à esse fato, que toda a evolução nos designs e os refinamentos que houveram com o passar dos anos, acabaram não sendo repassados às pranchas, pois se em 1990 custavam nas lojas cerca de US$ 290, e atualmente se encontram por cerca de US$ 390, o aumento não é tão significativo se considerarmos a inflação em outros mercados.
Além disso, o método convencional de produção (bloco de poliuretano e resina poliester), e ainda preferido atualmente pelos fabricantes, quase nada mudou desde 1960. Mesmo assim, tanto lojistas quanto consumidores já estão aceitando a idéia de que, em breve, as pranchas estarão chegando ao patamar dos US$ 500, um preço salgado para um equipamento que não dura mais de dois anos ( tratando-se de uma prancha brasileira, com muito boa vontade, conta-se a metade desse prazo).
Todos os fatos citados acabam por nos fazer refletir...será essa realmente a melhor alternativa no que se refere a custo-benefício? Bem...depende do ponto de vista.De acordo com as facções da industria de fabricantes de pranchas que mantém o pensamento mais voltado para o futuro do esporte, já existem tecnologias que garantem um produto final muito mais resistente e durável, que inclusive já estão disponíveis no mercado, porém ainda não estão sendo amplamente utilizadas pelos fabricantes.
Uma das mais bem faladas nos últimos anos tem sido a tecnologia epoxy. Usando resina epoxy e blocos de poliuretano tradicionais, o fabricante pode oferecer um produto final acima de 4 vezes mais durável que uma prancha convencional feita com resina poliester. Ahh, e mais leve também... Mais forte e mais leve...isso parece bom, não? Mas porque então, a sua prancha não conta com essa tecnologia ainda????
Bem, o X da questão pode não soar bem, mas é simples: você ainda não pode desfrutar dessa tecnologia apenas porque ela é DIFERENTE!!! Segundo o fabricante de pranchas Bill Bahne, " a tecnologia está aí, mas a maioria das oficinas de laminação (no Brasil, leia-se: os próprios fabricantes) não querem trabalhar com novos materiais porque requerem mudanças no processo de fabricação, alterando toda a rotina de produção"
As companhias de laminação não querem trabalhar com novos materiais, porque elas nasceram e cresceram trabalhando com resina poliester, estão mais do que acostumadas com o processo convencional, e trabalhar com uma nova tecnologia iria requerer o aprendizado de um novo processo. É certo que a resina epoxy é mais forte e mais leve, não tem aquele cheiro insuportável (da resina poliester), e poderia ser a resposta para os fabricantes de pranchas pré-moldadas. Mas o fato é que realmente as companhias de laminação ainda estão pouco voltadas para as novas tecnologias. É verdade que a resina epoxy custa mais caro, mas com o preço de uma prancha no mercado (americano) chegando aos US$ 500, também será crescente a demanda dos consumidores por um produto mais durável.
Não desrespeitando o posicionamento das companhias de laminação, parece estar chegando o momento do epoxy, e não se pode negar que, por mais lento que seja o processo, ele está ganhando espaço junto aos fabricantes. É fato que a Channel Islands tem usado o epoxy para laminar algumas pranchas de sua equipe ao longo dos últimos 20 anos:
" Venho usando algumas variações da resina epoxy desde antes do Tommy (Curren) se tornar PRO", comenta Al Merrick, que tem o pé atrás para usar a resina epoxy aplicada sobre o bloco convencional de poliuretano: " Quando você usa o epoxy aplicado sobre o poliuretano, a prancha ganha em resistência, mas algo muda na flexibilidade em função de alterações na temperatura. Se não fosse isso, poderia considerar essa combinação perfeita."
" A melhor combinação a nível de performance, eu vejo ao aplicar a resina epoxy sobre blocos de poliestireno extrudado (no Brasil ,mais conhecido como isopor), algo que deixa Tommy realmente excitado a respeito."
Então, tudo parece apenas uma questão de tempo, para que a industria de fabricação de pranchas absorva o que há de novo. Com as novas tecnologias, mesmo que aos poucos, ganhando aceitação, não deverá demorar para que os tradicionais blocos de poliuretano e a resina poliester passem a ser considerados uma relíquia.
Mas isso já foi escrito antes. E esta é uma profecia que ainda não se realizou... A chave? Bahne resume em poucas palavras: " A industria das pranchas precisa de um SWIFT KICK IN THE ASS (rápido empurrão no traseiro); e eles podem aguentar isso"
Bem, a matéria de Brad resume tudo o que eu gostaria de falar, e já venho falando há mais de 3 anos, quando larguei o material convencional e arrisquei tudo com o epoxy. Reconheço que a princípio perdí mercado, mas me especializei e acredito que tomei a decisão certa. O epoxy para mim não é mais o futuro... já é o presente !!!
Lá fora, A SURFTECH, empresa da COBRA INTERNATIONAL (uma gigante do segmento naval), possui a maior fábrica de pranchas do mundo, na Tailândia, e produz mais de 50.000 pranchas por ano, comercializando para todo o planeta (com exceção do Brasil); produz pranchas pré-moldadas, possuindo mais de 160 modelos de vários dos melhores shapers do mundo. A Santa Cruz, ao norte da Califórnia, usando a mesma tecnologia (Tuflite), além de Greg Loehr de Melbourne Beach, Clyde Beatty, de Santa Bárbara e a Point Blanks de Ventura, são alguns fabricantes que há anos já vêm usando o epoxy em suas pranchas.
A edição de agosto da FLUIR, mostra outro entusiasta, ninguém menos que DICK BREWER, afirmando que novos materiais derivados do epoxy estarão fazendo grande diferença nos próximos anos... Ele menciona inclusive que irá começar a utilizar o epoxy nas pranchas de tow-in que fornece para caras como Laird Hamilton, Darrick Doerner e Garret McNamara. Segundo suas próprias palavras: " o epóxi tornará as pranchas muito mais fortes e duráveis. E também não haverá o risco delas partirem..." Há poucos dias atrás encontrei Burle, que já experimentou e elogiou muito o novo material; acabou encomendando mais uma para o seu quiver. Será mesmo que o epoxy não funciona para ondas grandes?
Vários shapers de nível mundial como Matt Biolos e Pat Rawson, estiveram em São Paulo shapeando e não esconderam que também estão com projetos em epoxy. Inclusive elogiaram bastante a Keahana Epoxy, uma tecnologia totalmente nacional, que venho ajudando a desenvolver.
Porém, muitos perguntam...mas quem já está usando? Basta folhear as revistas americanas SURFER e SURFING, para ver atletas de ponta como o WCT Kieren Perrow, além de Pancho Sullivan, Adam Replogle, Jason RATBOY Collins, Shaun Barron, Matt Archbold, Christian Fletcher, Anthony Tashnick, Bud Freitas, Matt Schrodetz, Sean Petersen e muitos outros quebrando as ondas em pranchas de epoxy. No Brasil, deve-se prestar atenção, pois não são tão poucos os atletas que vêm usando o novo material nas competições: Cristiano Guimarães, Bruno Moreira, Ricardo Toledo, Wagner Pupo, Patrick Tamberg, Rafael Maike, são alguns... e a grande maioria voltou a testar novamente.
Shapers de todo o Brasil já estão há anos trabalhando com o epoxy, ou procurando aprender os segredos da nova tecnologia: Mário Firmino, Machucho, Endiroy, Hilton Issa, Almir Salazar, Luciano Leão, Daniel Friedman e eu, somos alguns dos que saíram na frente. Desde que decidí me especializar no epoxy, foram mais de 2.000 shapes, sendo cerca de 700 somente este ano, utilizando um sistema secagem em estufa e laminando as pranchas com dois tecidos de cada lado. A estatística é muito positiva: nenhuma trincou e apenas 3 quebraram em situações de pressão mesmo. Mas é na água que se pode comprovar a maior das vantagens: o isopor flutua 30% mais do que o poliuretano, e então a prancha anda muito mais...acelera a cada seção, e impulsiona a cada mudança de direção; os aéreos saem mais altos, as manobras mais rápidas e fáceis, a volta das manobras mais confortãvel e fluída...
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO NA TECNOLOGIA EPOXY
Na sede da O´SURFE, uma ONG onde desenvolvemos um programa de capacitação profissional junto ao esporte, destinado inclusive à jovens carentes, mantemos uma oficina-escola especializada na tecnologia epoxy, onde ministramos vários cursos de fabricação de pranchas em parceria com a Universidade Estácio de Sá, sendo um deles de ESPECIALIZAÇÃO EM TECNOLOGIA EPOXY, destinado a fabricantes e laminadores que desejem conhecer os segredos do novo material.
Logo ao entrar na oficina, já se pode constatar o ambiente praticamente inodoro, e surpreendentemente limpo para uma oficina de pranchas, pois o desperdício de material é mínimo. Mas por não ter cheiro, não significa que o epoxy seja tão inofensivo à saúde. Apesar da resina ser a base d´água, ou seja, menos poluente, uma boa circulação de ar é muito importante e recomendamos à todos os artesãos que continuem usando suas máscaras respiradoras com filtros de gás.
CONSERTANDO SUA EPOXY BOARD
Na edição de maio 2004 da revista SURFER, uma matéria na seção DESIGN FORUM assinada por Sam George, esclarece tudo a respeito dos consertos de pranchas de epoxy. Segundo ele, depois de 40 anos o esporte está finalmente se deparando com o surgimento de uma nova tecnologia e como já não são tão poucos os fabricantes que vêm utilizando o epoxy, é sempre bom, daqui para frente, saber com o fabricante se a sua prancha foi feita com resina epoxy ou poliester.
Porém, mesmo com todas as vantagens que a nova tecnologia proporciona, os surfistas em geral ficam preocupados em adquirir uma prancha de epoxy citando especialmente uma razão: elas são difíceis de consertar; ou pelo menos, é o mito que está surgindo... Na verdade, uma prancha de epoxy não é mais difícil de consertar, é apenas diferente e requer o material adequado. Então vamos conhecer um pouco sobre o material utilizado:
BLOCO DE POLYESTIRENO
Mais conhecido no Brasil como ISOPOR, o polyestireno foi criado na Alemanha no final do século 18 e o poliestireno expandido, desenvolvido pela Dow Chemist americana. O Polyestireno Extrudado é a última novidade (nos EUA é chamado de Styrofoam, custa bem mais caro e ainda não existe no mercado brasileiro), Trata-se de uma versão bem semelhante ao poliuretano convencional, com célulação mais fechada, porém mais leve e... não entra água!!!
O isopor foi experimentado na fabricação de pranchas na década de 40 através de shapers como Bob Simons. O maior problema é a rápida absorção de àgua. A Surftech adiciona uma fina camada de PVC de alta densidade para dificultar essa absorção, Alguns fabricantes americanos usam o styrofoam (polyestireno extrudado). Porém, a técnica que estamos desenvolvendo no Brasil, através da Keahana Epoxy, parte do príncipio de isolar o polyestireno (isopor) com uma fina camada de pasta epoxy, para somente depois laminar a prancha, de maneira a evitar a formação de bolhas e delaminação.
RESINA EPOXY
A resina epoxy é conhecida pelos especialistas em plasticos como um polímero de alta resistencia, impermeável e de baixo peso molecular, mas o que um surfista realmente precisa saber é que se trata de um diferente tipo de resina, que não gruda bem na resina poliester. Mas gruda bem no poliestireno (isopor), ao contrário da resina poliester, que dissolve o isopor fazendo-o derreter (não esqueça nunca desse grande detalhe).
COMO CONSERTAR
Caso sua prancha quebre na água, saia imediatamente e coloque a prancha em uma posição que a gravidade possa fazer a água sair pelo próprio local do quebrado. Procure deixa-la exposta ao sol por tempo suficiente para a agua escorrer e evaporar totalmente, antes de fazer o conserto.
Limpe então a área do quebrado com acetona ou alcool e lixe com uma lixa 100.
O processo de conserto é o mesmo, quem conserta com resina polyester também pode consertar uma prancha de epoxy sem problemas. O primeiro passo é isolar o isopor (poliestireno) com uma camada de resina epoxy, pasta epoxy ou simplesmente cola branca (de caderno).
Em uma situação de emergência, depois de isolar o isopor você pode consertar até com resina poliester, mas a tendencia é que a resina poliester acabe se soltando (delaminando) por não ser tão flexível quanto o epoxy. O isolamento do isopor é importante porque evita que o ar tente sair pelo local do quebrado. Com o calor da resina ao secar, o ar tenta sair de dentro do isopor, ocasionando as vezes uma minúscula bolha de ar, por onde continuará entrando água depois do conserto. Mas uma vez isolado o isopor, não há mais mistério.
A mistura da resina é feita na proporção 2 para 1 , isto é: vc deve adicionar de 40 a 50% de endurecedor para cada quantidade de resina que for utilizada. Misture bastante antes de começar a aplicar a resina. A resina epoxy demora mais para secar, independente da quantidade de catalizador que você colocar. Inclusive, se você errar na mistura, as vezes a resina não seca totalmente e será necessário refazer o conserto. Bem, pelo menos você terá mais tempo para fazer o conserto. E ela não fica gel, vai emborrachando, chega a ficar moldável como massa escolar, antes da secagem completa.
A maneira de consertar é a mesma; porém o conserto deve ser feito sempre com duas ou três camadas de fibra no mínimo para ficar bem resistente e não quebrar novamente. Como a resina demora mais para secar, você apenas deve ter mais paciencia de esperar entre uma fase e outra. Depois de seca, a resina pode ser lixada com facilidade em qualquer fase do conserto.
Boas ondas,
Henry Lelot .
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