O Movimento de Prevenção a Ataques de Tubarão (Mopat), com o apoio da Associação de Surf de Olinda (ASO), promoveu, ontem pela manhã, um protesto na praia dos Milagres, também conhecida como Del Chifre, onde há 15 dias o jovem Humberto Pessoa Batista, 27, morreu após ser atacado por um tubarão enquanto praticava bodyboarding.
Todo mundo associa os ataques de tubarão apenas aos surfistas, como se a classe fosse a única atingida pelo animal. No entanto, qualquer banhista está exposto ao risco, uma vez que o desequilíbrio no ecossistema marinho está trazendo o tubarão cada vez mais próximo da beira do mar, em busca de alimento.
Último ataque vitimou fatalmente um surfista na praia Del Chifre, em Olinda Manifestantes acreditam que medidas devem alertar mais sobre o perigo
O Movimento de Prevenção a Ataques de Tubarão (Mopat), com o apoio da Associação de Surf de Olinda (ASO), promoveu, ontem pela manhã, um protesto na praia dos Milagres, também conhecida como Del Chifre, onde há 15 dias o jovem Humberto Pessoa Batista, 27, morreu após ser atacado por um tubarão enquanto praticava bodyboarding. Foi o terceiro ataque registrado no ano, o primeiro fatal. A manifestação, que reuniu cerca de 30 surfistas, teve como objetivo chamar a atenção dos órgãos competentes, como Ibama e CPRH, para a adoção de medidas mais severas, sobretudo no que se refere à conscientização do banhista para o perigo de desfrutar de uma praia ameaçada pelo avanço dos tubarões.
“O protesto surgiu pelo sentimento de insatisfação da comunidade de surfistas e da sociedade em geral, da pouca ênfase dada ao banhista. Queremos dar o alerta de que a população é tão vítima quanto o surfista”, afirmou o diretor técnico da ASO, Gustavo Galvão. A associação concorda com a interdição da prática do surf na praia Del Chifre, mas acredita que a proibição deve se estender aos banhistas. “O problema é que a gente está rotulado como isca de tubarão, e isso não é verdade. A interdição tem que ser mais ampla, é um problema de segurança pública”. Gustavo também informou que, a partir de agora, a ASO mandará um representante para as reuniões do Comitê Estadual de Prevenção e Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).
Uma outra reivindicação é a instalação de uma rede eletromagnética para coibir a presença de tubarões, que será implantada em uma faixa de 200 metros da orla de Boa Viagem. O equipamento é usado há dez anos em Hong Kong, na China, e zerou o número de ataques na região.
Os surfistas também pleiteiam a recuperação ecológica da praia dos Milagres, uma vez que a raiz de todo o problema está no desequilíbrio ecológico provocado, entre outros fatores, pela poluição e pela pesca desenfreada. “O tubarão sempre esteve aqui. Mas por que ele começou a morder? Houve a aproximação dele, pelo desrespeito ao ecossistema, que causou um impacto ambiental. Quando você interfere no ecossistema, a gente não sabe como ele vai responder. Esses ataques são uma resposta”, avaliou o coordenador do projeto Praia Segura, Rômulo Bastos.
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